25.8.07



Quando as folhas caem, você vê a arvore nua,
Num espelho apertado, sua face suja.
Uma página molhada de café.
Um caminho deslizante até o inferno.

Até onde deus irá comigo,
E você, em qual pedra suas promessas desabarão.
Qual o teu sinônimo de incerteza.
Qual tua força, teu brasão.

Quem é você, solidão,
Que se acha capaz de tomar meu coração.
E me fazer de otário,
Embaçar meus óculos,
Enxergar meu armário.

Vazio, ando e leio,
As mesmas dez ordinárias,
Cada uma conta algo,
Dores, amores, salafrários.
São tão inúteis, tão usuárias.

Que se danem os mendigos,
Os pseudônimos,
Vá se embora português.
Não, não exprima minhas torturas,
Dores e usuras,
Deixe me calado.
Deixe me instável.

Quem acha que és minha amada,
Para tomar-me de assalto,
Com tua carne, cheiro e teu asfalto.
De teus caminhos, suspiros e somados.
Detenham-me, não me deixem mais partir,
Façam qualquer coisa comigo,
Algo como nos livros.

Seus olhos tão indecisos,
Já foram abrigo,
Hoje são estrelas distantes, mensageiras,
Dessa minha angústia em te ver feliz, sem mim.

Poesia insincera, rimas modestas,
Duma inteligência honesta,
Dum idiota qualquer,
Alguém que se chama,
Solidão...
Vidas pacatas,
Sagas amargas,
De algum Jesus, Maomé,
Algo que se define,
Ilusão...

Nenhum comentário: